Violência doméstica em Rio do Sul: sinais de alerta, impactos e caminhos de superação
- 16/09/2025
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Violência doméstica em Rio do Sul: sinais de alerta, impactos e caminhos de superação
Especialistas apontam os desafios no acolhimento e as estratégias de prevenção que podem salvar vidas

Foto: Divulgação / Greice Momm Fontanive
A violência doméstica permanece como um dos problemas sociais mais graves no Alto Vale do Itajaí. Entre sinais de alerta muitas vezes silenciosos e a dificuldade das vítimas em romper o ciclo de agressões, a atuação de profissionais da saúde, assistência social e da rede de proteção torna-se essencial. Em entrevista, a assistente social Greice Momm Fontanive, que atua no Hospital Bom Jesus e na Cáritas Diocesana de Rio do Sul, detalha os impactos da violência, os recursos disponíveis e as estratégias de enfrentamento.
Os sinais que não podem ser ignorados
A violência doméstica nem sempre se apresenta de forma visível. Segundo Greice, mudanças de comportamento, como medo excessivo, ansiedade, isolamento social e retraimento são os primeiros indícios. “Muitas vítimas passam a se sentir envergonhadas e evitam falar sobre o relacionamento, demonstrando baixa autoestima e submissão”, explica.
Os sinais físicos — hematomas, fraturas, queimaduras ou marcas sem explicação convincente — também chamam atenção. Outro alerta é o controle excessivo do parceiro, que restringe contatos, vigia constantemente, controla finanças e impõe ciúmes extremos. Esses elementos, quando combinados, mostram que a vítima já vive em um ciclo de opressão.
O papel da comunidade e da rede de apoio
O acolhimento adequado é essencial. “O primeiro passo é ouvir sem julgamentos, acreditar no relato e mostrar que a vítima não está sozinha”, afirma a assistente social.
A ajuda pode começar de maneira simples, mas precisa ser contínua. Oferecer informações sobre Delegacias Especializadas, Defensoria Pública, casas de abrigo e linhas de apoio como o Disque 180 é fundamental.
Em Rio do Sul, além da Delegacia da Mulher, há a Casa de Proteção da Obras Kolping, que oferece espaço seguro para acolher temporariamente mulheres e filhos. O Hospital Bom Jesus também atua como referência no suporte de saúde física e psicológica, com equipes prontas para atender vítimas em situação de risco.
As marcas que ficam: impactos físicos e emocionais
As consequências da violência doméstica são duradouras. Greice ressalta que muitas mulheres sofrem de depressão, ansiedade, síndrome do pânico e estresse pós-traumático, além de carregar os sentimentos de culpa e vergonha. “A violência destrói a autoestima e pode levar a vítima a acreditar que não merece uma vida melhor”, comenta.
Do ponto de vista físico, as sequelas vão desde lesões permanentes até doenças crônicas, distúrbios do sono e problemas cardiovasculares.
No ambiente familiar, o impacto é devastador: filhos que crescem nesse contexto podem reproduzir padrões de violência ou desenvolver traumas emocionais.
Já no campo econômico, a dependência financeira do agressor ainda é uma barreira. Muitas mulheres abandonam trabalho ou estudos por conta das agressões, o que prolonga a vulnerabilidade mesmo após o rompimento da relação.
Caminhos de reconstrução e prevenção
A recuperação é possível, mas exige paciência e apoio. O atendimento psicológico especializado, os grupos de apoio e os serviços públicos de saúde, como o SUS, estão entre as opções disponíveis. ONGs e Centros de Referência também desempenham papel essencial, oferecendo suporte jurídico, social e emocional.
Na prevenção, especialistas defendem a educação em escolas e comunidades, a promoção de relações saudáveis e igualitárias e o envolvimento dos homens no debate. Para Greice, capacitar profissionais de saúde, educação e segurança pública é indispensável: “Só assim conseguimos identificar casos precocemente e oferecer o acolhimento necessário”.
Encerramento
A violência doméstica, além de crime, é uma grave violação dos direitos humanos. No Alto Vale, avanços já são visíveis com a atuação integrada da rede de proteção, mas os desafios permanecem.
Para romper o ciclo, é preciso ampliar a divulgação dos canais de denúncia, fortalecer políticas de prevenção e garantir que cada mulher encontre acolhimento quando decidir pedir ajuda.
“É um trabalho que precisa do compromisso de toda a sociedade”, conclui Greice Momm Fontanive. “Cada gesto de apoio pode ser a diferença entre a continuidade da violência ou o início de uma nova vida para a vítima”.
Reportagem: Alexsandra Hoegen Sousa Kussner (Alexia K).
Fonte: Assistente Social Greice Momm Fontanive



